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Flores no pântano
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A flor de lótus nasce no pântano. Exibe beleza e força. Das águas lodosas desabrocham flores brancas, imaculadas, uma perfeição da natureza. A imagem da flor foi usada por este escriba em um artigo no Estadão, há muito tempo, para expressar a crença de que no meio do caos há uma réstia de esperança. A frase era : "A política chegou ao fundo do poço em matéria de moral. Mas não morreu a esperança de nascer uma flor no pântano". Saulo Ramos, jurista e sábio, e também um incréu, pinçou a alegoria em seu livro Código da Vida para atribuí-la aos "puros, os poetas, os idealistas", como Gaudêncio Torquato, não sem fazer votos para que "eles tenham razão" na pregação. O Brasil tem recebido camadas e camadas de lama nesses tempos de petrolão. Mas são inegáveis as flores que nascem aqui e ali, sob os cuidados atentos de uma sociedade que junta forças e motivação para deixar o conforto de sua casa e organizar a maior mobilização de ruas dos últimos 30 anos.
O Brasil é outro ?
A pergunta recorrente é : o Brasil é outro, a partir do dia 15 de março ? A grande mobilização, a maior desde o movimento das Diretas Já, nos idos de 1984, terá impactos sobre a vida nacional ? Vamos a algumas reflexões.
Primeira leitura : as cores
Vimos um Brasil cívico e participativo. As cores verde, amarelo e branco denotam a estética cromática da bandeira nacional. Diferentemente, por exemplo, do vermelho total da manifestação do dia 13, puxada por PT, CUT e MST. Uma coisa é defender o país ; outra coisa, bem menor, é defender um partido. Quem foi às ruas ?
Segunda leitura : as camadas
Todas as camadas sociais se fizeram presentes. É evidente que as classes médias se fizeram representar em maior quantidade, eis que mais sensíveis e próximas aos eventos políticos. Mas não tem sustentação a hipótese de que as margens não estavam presentes. Desse modo, como se explica o fato de a presidente Dilma registrar, nesses dias turbulentos, apenas 7% na categoria bom/ótimo de avaliação positiva nas pesquisas de opinião ? Portanto, o chamado povão também estava lá. O metrô de São Paulo se encheu de gente dos bairros periféricos.
Terceira leitura : o discurso
Qual a razão maior para puxar o cordão das manifestações ? A teia de corrupção que envolve o país. Por mais que algumas entidades queiram dizer que o impeachment da presidente tenha sido o leit motiv, o arrastão das massas foi inspirado, com maior intensidade, pela ladroeira e, particularmente, pelo propinoduto no entorno da Petrobras. É claro que as faixas pedindo impeachment também se faziam ver nas correntes das ruas. Em plano menor.
Quarta leitura : a quantidade
A quantidade de pessoas é outro ponto polêmico. Um milhão, 200 ou 600 mil ? Não importa muito a quantidade. Importa aduzir que foi a maior movimentação cívica desde 1984. E que se traduziu por uma participação plural da sociedade. Não apenas do eleitorado da oposição, como erradamente opinou o ministro Miguel Rossetto, esse mais próximo à presidente. P.S. Se quiserem mais cálculo de pessoas, aqui vai um, enviado pelo amigo Álvaro Lopes e de autoria de Sylvio Teitelbaum.
O cálculo de Sylvio
"Para quem tem dificuldade de contar pessoas numa manifestação : Av. Paulista = 3.000 m x 50m x 4 pessoas /m2= 600 mil pessoas. Com o movimento das massas coloca-se seis pessoas/m2. Totalizando, no mínimo, um milhão de pessoas. Quem não conhece o cálculo e não sabe como calcular deslocamento de multidões que se cale e pare de desqualificar a maior movimentação genuína sem partido que o Brasil teve desde os anos 60. As "Diretas Já" tinham políticos envolvidos diretamente. Artistas, show e a Fafá cantando. Portanto, esta movimentação tecnicamente é muito diferente das "Diretas Já"."
Quinta leitura : a convocação
Diferentemente de mobilizações do passado, o grito do dia 15 foi convocado pelas redes sociais e por ondas formadas a partir dos círculos concêntricos. Os meios foram múltiplos : boca a boca, usuários das redes, veículos massivos de comunicação, etc. Importante ressaltar que não houve convocação por meio de partidos políticos ou de centrais sindicais. Viu-se uma participação espontânea, natural, sem atendimento aos partidos ou a grupos pagos. Não houve distribuição de lanche nem passagem paga por patrocinadores.
Sexta leitura : o país
Errado também é confinar o movimento a SP. As regiões do país foram contaminadas pelo sangue do civismo, algumas com maior intensidade que outras. Viu-se, por exemplo, que as manifestações no Nordeste ganharam menor escala. Nem por isso, pode-se dizer que a região não se tocou pela mobilização. No RS, a concentração de 100 mil pessoas em Porto Alegre deixou forte marca.
Sétima leitura : o panelaço
A sequência do evento foi o panelaço/buzinaço. A tentativa dos ministros Miguel Rossetto e José Eduardo Cardozo foi recebida com a pancadaria nas panelas em muitas capitais. O ministro Cardozo se expressou melhor, uma fala mais política e mais certeira. O desastre ficou por conta de Rossetto, que atribuiu as manifestações aos eleitores que não votaram em Dilma. Um erro de visão. O ministro precisa tomar um banho de rua.
Oitava leitura : a continuidade
A sociedade mostra que a democracia participativa no país ganha densidade e solidez. Daí a nossa projeção de que esses movimentos deverão, doravante, se incorporar à paisagem urbana, de maneira pontual e em menores proporções. Veremos grupos e categorias profissionais indo às ruas para gritar por demandas específicas. E, ainda, acompanhar os passos do petrolão que devem seguir por todo o ano, batendo nas margens eleitorais de 2016.
Nona leitura : efeitos
O governo continua a estudar respostas. A mais alentada deverá ser um pacote contra a corrupção, prometido para estes dias. Teme o governo responder às demandas com lero-lero, ou seja, com discurso inconsequente. Deverá fazer cortes de gorduras e excessos. E, ainda, promover uma reforma ministerial para ajustar os parâmetros à realidade das ruas e à real politik.
Décima leitura : o amanhã
O amanhã será a aurora de um país passado a limpo, expurgado não de todas as mazelas, mas de alguns vícios e ilicitudes. Veremos os próximos tempos enxertados com sementes fortes : o escopo conceitual pedindo por mais ação e menos discurso ; transparência ; agilidade ; qualidade ; enxugamento ; reforma política ; ajustes econômicos ; participação ; envolvimento social ; poder centrípeto (das margens para os centros) ; punição ; rigor e zelo.
Quem se fortalece
PMDB sai mais fortalecido da crise, mesmo tendo alguns de seus nomes na lista de investigados. O vice-presidente da República, Michel Temer, terá papel mais substantivo na frente da articulação política. Congresso deverá assumir postura de independência em relação ao Executivo. Poder Judiciário subirá, mais uma vez, ao pódio da visibilidade pública. Organizações sociais ganharão prestígio.
Mudança na índole
A presidente Dilma começa a mudar sua postura. Agora, passa a usar modelagem mais coerente com as ruas : simplicidade, modéstia, diálogo, abertura, flexibilidade em substituição à arrogância, autossuficiência, dureza no trato. Poderá, doravante, usar o mineirês que aprendeu em sua vida nas MG.
Pressa de Levy
Joaquim Levy é um ministro apressado. Assim se expressa : "se fizermos um ajuste de forma rápida, de verdade e do tamanho necessário, as pessoas poderão sentir o chão firme para voltar a tomar risco e investir". O Congresso ouvirá seu apelo ? As pessoas, a que se refere o ministro, voltarão mesmo a investir ? Levy quer demonstrar que não se faz omelete sem quebrar ovos. A dificuldade é ter êxito na missão de pedir sacrifícios aos setores produtivos e à população.
PT no despenhadeiro
O PT continua a descer no despenhadeiro da imagem. De partido que mais encarnava a ética na política, virou o partido mais próximo aos dutos da corrupção. Para se levantar, o partido deverá se refazer.
A partilha
É possível governar sem a participação e partidos na administração ? Impossível. Sem o apoio dos partidos da base o chamado presidencialismo de coalizão soçobrará na missão. Mas há regras de bom senso para a distribuição das fatias do bolo do poder. Primeira regra : avaliar o peso relativo dos entes partidários. Segunda : selecionar perfis adequados e condizentes para as estruturas. Aristóteles, em suas reflexões sobre política, dá uma pista : "Quando diversos tocadores de flauta possuem mérito igual, não é aos mais nobres que as melhores flautas devem ser dadas, pois eles não as farão soar melhor ; ao mais hábil é que deve ser dado o melhor instrumento". Trata-se de meritocracia. Terceira : preservar e preencher as áreas econômicas com perfis técnicos. Quarta : controlar, cobrar resultados.
Gaudêncio Torquato  

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Nº 120036   -    enviada por     Adalberto Manoel Ferratone   -   Rio Claro/SP/     em   23/03/2015


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