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DICAS DE SAÚDE
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Pele de bebê versus pele de maracujá
Enviada em 21/01/2018 por     Álvaro Pozzetti de Oliveira

Escrito por Ligia Braga Vari e Ruth Gelehrter da Costa Lopes(*)

Sob o espectro do capitalismo, tenta-se comprar a juventude eterna por meio de cremes antienvelhecimento ou de cirurgias plásticas. Esse desejo de eterna juventude é, muitas vezes, confundido com o de saúde, sendo auxiliado pela mídia.

“O Brasil deverá chegar a 2050 com cerca de 15 milhões de idosos, dos quais 13,5 milhões com mais de 80 anos.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), daqui a 15 anos (2025), o país será o sexto do mundo com o maior número de idosos”.

É de se esperar que, em vista disso, o tema do envelhecimento ganhe espaço nas discussões acerca do futuro, já que, segundo Félix e Santos (2011, p. 263), “O crescente envelhecimento da população é um dos maiores triunfos da humanidade e, concomitantemente, um grande desafio do século XXI [...]”.

Tanto do ponto de vista político quanto social, lidar com essa notícia é um desafio. Principalmente após a revolução industrial, o ser humano passou a ser visto como um corpo que produz; ao deixar de produzir, perde o seu valor.

Nesse panorama, é fácil entender por que é na juventude que se recai toda a atenção. Essa fase latente do desenvolvimento humano acaba deixando outras fases marginalizadas, como é o caso da velhice. Apesar do número de idosos aumentar de forma rápida, este é um assunto que causa desconforto para a maioria das pessoas. Na sociedade ocidental não é observado um preparo para o envelhecimento ou mesmo um significado positivo para este – muito pelo contrário.

Sob o espectro do capitalismo, tenta-se comprar a juventude eterna por meio de cremes antienvelhecimento ou de cirurgias plásticas. Esse desejo de eterna juventude é, muitas vezes, confundido com o de saúde, sendo auxiliado pela mídia.

Considerando que o envelhecimento é vivido por cada pessoa de uma certa forma e depende de contextos culturais e sociais em que o indivíduo está inserido, é possível identificar a concepção de velhice representada na campanha publicitária da marca de cosméticos ROC, vinculada em 2010 e criada pela Agência de Publicidade Zero 11 Propaganda Ltda., localizada em São Paulo.

A frase expressa na imagem diz “O sol está a 150 milhões de quilômetros. A mesma distância que você quer de uma pele envelhecida e manchada”.

O envelhecimento recebe diversas representações quando observado em culturas diferentes. A posição do idoso e seu papel dentro da sociedade também são variáveis, portanto “por se tratar de um constructo sócio-histórico multifacetado socialmente relevante, a velhice emerge como um objeto passível de ser estudado à luz da teoria das representações sociais (TRS)” (FÉLIX & SANTOS, 2011, p.365).

As representações sociais, segundo os autores, são importantes porque norteiam como o indivíduo se porta diante de acontecimentos da cotidianidade, e, como consequência, como são suas expectativas diante de um indivíduo. Nesse panorama, para Jodelet (2001) citando Félix e Santos (2011), o estudo das comunicações sociais é de extrema importância porque a mídia pode crivar as representações sociais de algum grupo etário, por exemplo, da pessoa idosa.

Em vista disso, Lins e colaboradores (sem data), em rigoroso estudo, pesquisaram as imagens que o idoso assume na mídia escrita em 50 reportagens datadas de 2009 a 2011 em dois jornais de grande veiculação do Ceará: O Povo e Diário do Nordeste. A conclusão a que chegou é esperada: a mídia privilegia algumas representações do idoso e da velhice, na sua maioria, desfavoráveis. Não é raro encontrá-los vinculados a infantilização, dependência, submissão e tristeza. Imagem identificada no anúncio publicitário citado.

Ao afirmar que: “O sol está a 150 milhões de quilômetros, a mesma distância que você quer de uma pele envelhecida e manchada”, identifica-se que o padrão estético é o da “pele de bebê” (não envelhecida, nem manchada). Logo, a pele do idoso, a “pele de maracujá” (que naturalmente tem manchas e é envelhecida) é concebida como doença, como algo ruim que não se pode querer - a não ser que esteja “a 150 milhões de quilômetros”.

Portanto, em vez do protetor solar ser vendido como forma de se preservar a saúde, é vendido como se fosse o melhor jeito de se afastar da “doença” da velhice - como se esta não fosse uma das fases mais interessantes e inevitáveis do desenvolvimento humano.

Referências

FÉLIX, L.B. & SANTOS, M.F.S.S. A velhice na mídia escrita: um estudo em representações sociais. Disponível em: http://www.upf.br/seer/index.php/rbceh/article/view/1541/pdf. Acesso em: 09/06/2015.

LINS, A.L.C.P.; CARLOS, C.I.S.; FORTUNATO, M.M.; GURGEL, T.D.; FEITOSA, E.E.L.C. A representação social do idoso pela mídia escrita: um olhar sobre as palavras de um pensar além das palavras. Disponível em: http://apps.cofen.gov.br/cbcenf/sistemainscricoes/arquivosTrabalhos/I41973.

E10.T6786.D6AP.pdf. Acesso em: 09/06/2015.

(*) Ligia Braga Vari - Aluna do curso de graduação de Psicologia, da Pontifícia Universidade Católica – PUCSP, 5º semestre. E-mail: ligiabvari@gmail.com

Ruth Gelehrter da Costa Lopes - Supervisora Atendimento Psicoterapêutico à Terceira Fase da Vida. Profa. Dra. Programa Estudos Pós Graduados em Gerontologia e no Curso de Psicologia, FACHS. E-mail: ruthgclopes@pucsp.br


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